Set 21

 

Na verdade o título desse texto era pra ser: “O que vocês querem?!”. Seria sobre o que as garotas “exigem” dos caras a ponto de descartá-los e ficarem com outras garotas. Mas isso se transformou em um abismo de reflexão sem fim. Algumas enquetes que fiz por MSN e e-mail ficaram demasiadamente confusas e os papos de bar não se concluiam antes o álcool fazer efeito, logo, ía todo o material intelectual rolando Augusta abaixo

Já um amigo, no mesmo clima e, aparentemente, ainda mais problemático com as mulheres, perguntou-me, numa enquete: Como eu avaliava a desconfiança generalizada da média das mulheres para com os homens? O medo, o pré- conceito, o julgamento precipitado e antecipado dos caras, antes mesmo de conhecer, por exemplo, num ponto de ônibus? (puxa).

Eu ainda não o respondi, estou tentando pensar como um maníaco.

 Mas não era sobre isso que eu ía escrever…

O texto, na verdade, era para ser sobre a falta de tempo do “paulistano classe-média”. Aquela pessoa entre 25 e 35 anos, que ganha um salário médio, tem uma estatura média, é medianamente pretensioso, trabalha num tempo médio da sua vida e consome uma boa média do salário em álcool. Não é um revolucionário, nem um porco chovinista. Não tem opiniões fortes, tão pouco é um completo alienado. Não é um “bom-vivan” com uma vida espalhafatosa, mas também não é um católico prudente contador de moedas. É, por fim, o sujeito de vida morna. Mas como tudo que é morno tende a esfriar, acabou que essa minha idéia se congelou nesse parágrafo. Seria uma chatice sem limites discorrer sobre o produto do meio termo.

 Ando trabalhando demais e bebendo pouco. Minha idéia ,na verdade, era escrever sobre “ A Lei Seca”.

Mas eu não dirijo e costumo tomar taxi depois que bebo. Ainda sou a favor do “Se beber, não dirija”. Mas não tomarei partido quanto à isso. Quase todos tem bons argumentos para defender ou criticar a lei, embora nada dos argumentos contra a lei correspondam aos fatos. De qualquer forma, como diria o sábio Woody Allen: “ Até um relógio quebrado tem razão, pelo menos duas vezes ao dia”.

Mas adiante, como não consigo escrever, escreverei sobre o que eu gostaria de escrever, ou até como diria os “gerundistas” (que se Deus quiser, morrerão todos no inferno descrito no velho testamento), escreverei sobre o que “vou estar escrevendo” (olha que frase linda… não é passado, nem presente, nem futuro, nem PORRA nenhuma, pura enrolação).

 Mas estou enrolando, né? Preciso justificar o nome da minha coluna.

 Em breve escreverei sobre a dura vida da pior classe sexual existente nesse início de século XXI: O Homem Heterossexual Sensível.

Esse sim tem uma vida do rock, no sentido mais rochoso da palavra. Só bebendo pra amaciar.

Numa época onde os meninos preferem os meninos, e as meninas preferem as meninas, ficamos chupando o dedo e/ou mordendo a quina da mesa.

Não é o fim do mundo, como profetiza a minha mãe…mas antes fosse.

Ser homossexual é infinitamente mais fácil, atualmente. Esse pessoal se vê na balada, se agarram e transam. Se conhecem no banheiro do restaurante, se agarram e transam. Se esbarram no metrô, se agarram e transam. Trocam olhares no corredor empresa ou na faculdade, se agarram e transam….e por aí vai. São todos muito bem resolvidos e diretos. O xaveco é curto, as intensões são claras. As exigências são menos loucas e as acões mais presente.

Agora NÓOOOOOS, os Homens Heterossexuais Sensíveis, quando encontramos uma garota (que gosta de garoto), é uma novela mal escrita, um jogo de RPG cheio de regras e sem fim até chegar no “se agarram e transam”.

Se ainda fossemos como os brutos, que já chegam puxando a mina pelo cabelo e cravando os dentes direto na nuca…mas não…nã,não. Temos que, antes de fazer isso (porque também fazemos), levá-las para jantar e falar sobre todas as nerdisses que gostamos, ser compreensívos caso não role nada e ainda esbarrar no perigo de sermos chamados de “legais” (naquele tom odioso) e assumirmos um futuro posto de “amigo gay”.

Na verdade, não pertenço mais a esta casta. Traí, literalmente, o movimento. Independente disso, sinto-me na obrigação de registrar os mal bocados que eles passam e para que as gerações futuras não repitam os mesmos erros.

Especificarei tudo no próximo texto, caso eu não mude completamente de idéia depois da próxima dose.

 Mas é isso…

Confissão: ser paulistano economicamente ativo, também tem sido bem difícil, viu. Falo isso por todos que, nos últimos meses, não tem tido tempo pra nada. Veja eu, quase dois meses sem escrever aqui. Serei deserdado pelos cientistas, logo mais.

Desculpas a parte, e aí? Alguém sentiu minha ausência, ou ninguém teve tempo de ler esse blog?

 

BJS, ABRAÇOS E… MANTENHAM-SE CONECTADOS.

Mai 31

A TEORIA DAS FESTAS

“No começo, tudo era festa. As pessoas dançavam, esqueciam da vida e se divertiam. Depois tudo foi esfriando, tornou-se cotidiano. Alguém tinha que limpar a sujeira, e pagar o prejuízo. Lembrar das responsabilidades.”… Isso é a primeira parte da Gênesis do Mais Novo Testamento ( que eu mesmo escrevi, agora, bêbado).

Aaah, as festas! Trocar o dia pela noite é instituir a loucura. É o momento de desreprimir, festejando de igual para igual. Festa é o lugar aonde todos podem reverter suas posições sociais, religiosas e sexuais.

Quem não lembra da sua primeira “festa-mista”? Onde os meninos tentavam se misturar com as meninas e voltavam com as mão abanando (por assim dizer). Depois, cumplices na farsa, contavam vantagens e aumentavam histórias para os que não foram, e esses claro…fingiam que acreditavam.

Didaticamente falando, é numa festa que você toma seu primeiro porre, dá o seu primeiro “peguinha”, dá o seu primeiro grande vexame e por fim dá aquela sua primeira trepada suja no banheiro com uma desconhecida(o).

Boas memórias…Daí por diante a vida derrapa ladeira abaixo. É só degringolação.

Em uma festa você sempre encontra os bons amigos, e bebe pra celebrar. Aquele velho amigo que você não vê há um tempo, e bebe pra relembrar. Aquele flerte que você estava xavecando há semanas, e bebe pra facilitar. Aqueles dois flertes que você estava xavecando há meses, e bebe pra escolher. A ex-namorada, e bebe pra esquecer. A ex-namorada bem acompanhada, e bebe pra desaparecer.

Delas surgiram as frases clássicas:

  • Festa é coisa de homem.

Essa é minha. E digo isso baseado em baseados e em dados científicos.

No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já
de kimono. Bom, só lá deve acontecer isso.Aqui os homens saem direto do bueiro, já cheirando mal.
Em quase todas as festas que fui e que fiz, a maior parte do público, infelizmente, é masculino. Isso se dá porque é muito mais fácil convencê-lo a ir numa festa. Não há tempo ruim pro homem. Ele não tem TPM, e se não está preparado pra caçar, está preparado pra causar.
O excesso de testosterona no ar, deixa a atmosfera densa e grosseira, afastando as fêmeas e - por incrível que pareça – atraindo ainda mais machos.
É regra: Convide 1 homem pra sua festa e aparecerão 10. Convide 30 mulheres e aparecerão 5 (sendo 3 delas acompanhadas).

  • Se não me lembro é porque não aconteceu.

Essa é uma teoria comum pra justificar a sua falta de noção. Até funcionaria se todos bebessem como você ou antes de existir celulares com câmeras e You-Tube. É bom você ficar esperto, ou ter muita sorte pra não ser o link no momento.

  • O Backup do Vexame.

Só para dar continuidade ao clássico anterior. Se você não lembra, alguém lembra. E normalmente é mais de uma pessoa que lembra:

Exemplo do telefone:

-Oi! E aí, blz? Ontem foi foda, né? Saí de lá sem conseguir pronunciar o meu nome. Nunca mais apronto uma dessas.

- Ah, então. Lembro até a parte em que eu estava conversando com aquela mina. Depois, tudo virou flashs e fragmantos. Mas não sei seu eu estava viajando ou rolou de verdade. Eu tentei mesmo…hamm?…afff.

- Calma. E aquela hora que fui pro banheiro, o pessoal quis…sério?…

- Péra, péra, do começo. Eu cai mesmo de bunda na pista levando aquela outra garota, dei em cima da namorada daquele cara, sugeri um menage com o casal,você quase levou uma tentando me defender, encochei a mãe do anfitrião, vomitei na cabine do DJ e o quê?…Não, chega. Alguém mais viu isso? Ah! A festa toda…

- Pausa…Jesus…Pausa

- Então agora sou conhecido como…Tá! Entendi. Acho que ficarei ausente por um tempo…

- Valeu…e desculpa pelo seu carro. Claro! Eu pago a lavagem…valeu, desculpa.

  • Festa boa é aquela que morre alguém no final.

Essa é a mais comentada e a menos ocorrida.

Tem aquelas pessoas que quase morrem mesmo, mas como Deus protege as crianças, os bêbados, os mendigos, os políticos corruptos e as dançarinas do funk, isso quase nunca acontece, de fato.

  • A festa tava tão boa que achei um braço no vaso sanitário.

Olha…esse tipo de festa parece realmente boa. Mas aos meus 28 anos, prefiro algo um pouco mais tranquilo.

Uma coisa é certa, dar uma boa festa em casa é uma arte. E ela em si é uma grande arte.

É um ninho de infidelidade. É aonde seu cotidiano viciado e frustrante não funciona.

Claro que é sempre mais vantajoso ser convidado do que convidar. Dar sua casa a prêmio é um misto de filantropia com estupides.

Quem não quer manter sua parede branca, o chão de madeira sem cheirar a cerveja, o piso sem aquele melaço de 3 cm de espessura, a casa sem garrafas pela metade e preservativos usados espalhados nos cantos mais improváveis, o jardim sem bitucas e pontas, o banheiro inteiro e os vizinhos ainda dando aquele “bom dia” sincero?

Reclamações a parte, e aí? Alguém está com uma brilhante idéia de fazer uma?

BJS, ABRAÇOS E …MANTENHAM-SE CONECTADOS.

Mai 19

“anderson… diz:
E ai… fez o que no domingão?

O Barão das Árvores diz:
Eu fui tomar café no Suplicy e depois fui na Livraria Cultura. Íamos ver uma exposição na FAAP, mas o projeto foi abortado.

“anderson… diz:
Hehehe, fui ver o Beijo Roubado.

O Barão das Árvores diz:
Ah, e aí, curtiu?

“anderson… diz:
Achei bem xoxo.

“anderson… diz:
A atuação da Norah Jones é bem ruinzinha, quase nada.

“anderson… diz:
E o esilo do diretor é meio afetado demais, contradiz com o tipo de filme.

“anderson… diz:
E com o perfil da personagem principal.

O Barão das Árvores diz:
Ah, mas eu gostei. Gostei da despretensão, das situações.

“anderson… diz:
Heheh, eu já achei bem pretensioso, o uso da cor, a fotografia, a dramaticidade dos personagens…

O Barão das Árvores diz:
Isso sim.

O Barão das Árvores diz:
Mas o roteiro. Lembro de uma crítica dizendo que os personagens eram explorados de forma superficial, mas eu curti isso no filme.

“anderson… diz:
O roteiro achei fraco, road movies são sobre jornada e descoberta do personagem, a sensação que tive foi que a Lizzie nao mudou nada, apesar dela falar que mudou, não senti nenhum amadurecimento do personagem.

“anderson… diz:
Ela começa o filme com bluebery pie e termina com bluebery pie.

“anderson… diz:
A alegoria principal da historia toda vai pro espaço aí…

O Barão das Árvores diz:
rs. As observações são boas, mas acho que no meu caso foi uma questão de empatia com o filme. Mas vc não curtiu nem as cores?

“anderson… diz:

Achei gratuito, a fotografia é linda, mas quando se usa um elemento tão forte, ele tem que ser usado de forma mais apropriada pra história…

“anderson… diz:
Mas a fotografia e a direção de arte são ótimas.

“anderson… diz:
Apesar de serem muito dramáticos pra um roteiro xoxo.

“anderson… diz:
Fora que a trilha sonora é a mais preguiçosa que eu ja vi, heheh.

O Barão das Árvores diz:
Ah, eu gostei do roteiro xoxo. As vezes a vida é xoxa, nós que queremos que a arte nos diga que a vida é mais.
O Barão das Árvores diz:
Sério? Eu curti a trilha.

“anderson… diz:
Eu achei bem preguiçosa, tocar Cat Power no café do cara que faz o namorado dela no filme é bem capenga, e tocar a MESMA música todas as vezes em que aparece o cara no cafe, exatamente a mesma música com o mesmo corte é demais pra mim…

“anderson… diz:
E olha que eu adoro aquela música…

“anderson… diz:
Tocar Tenderness no outro bar e SÓ TOCAR Tenderness todas as vezes no mesmo bar é bem capenga tb.

“anderson… diz:
E no fim, tocar Norah Jones na cena final quando a protagonista é A Norah Jones é mais capenga ainda.

“anderson… diz:

A trilha toda são 3 músicas, ótimas músicas, mas que não seguram um filme todo.

“anderson… diz:
No fim, quando estrelas vc da pro filme?

O Barão das Árvores diz:
3. Achei bom.

O Barão das Árvores diz:
Vc está sendo muito duro com o diretor.

O Barão das Árvores diz:
Ele tem o direito de experimentar.

“anderson… diz:
A vida é dura Maike, ele tem o direito de experimentar e a gente de criticar.

“anderson… diz:
Eu vou dar 2 numa escala de 5…

“anderson… diz:
Vou publicar nosso papo no Laboratório como crítica de cinema hein, hehehe

O Barão das Árvores diz:
Ahaha…que trucão. Mas a idéia do texto é boa.

“anderson… diz:
Está inaugurado o sistema de crítica cultural do Laboratório então, heheh…
.

Resultado laboratorial.

Pq nossa opnião é uma grande merda mesmo…

.

Mar 21

Ontem minha tia morreu.

Não! Não falarei sobre a minha tia. Mesmo porque, interessa à poucos, pra não dizer à ninguém.

Também não escreverei sobre a morte. Mesmo porque, eu não faria nenhuma especulação melhor do que já foi feita por qualquer escola filosófica, religiosa ou irônica.

Pensei em escrever algo sobre o funeral, mas nesse tipo de ritual não há muito espaço pra piadas, ou mesmo comentários simplórios.

Por exemplo:

Fiquei bastante sem graça depois de dizer à minha mãe que eu estava “Morrendo de fome”. Sério! Era meio dia e meia, no Cemitério do Carmo (na puta que o pariu), seria inconveniente dizer algo como: “- Tá um sol de morrer”, ou oferecer o resto da sua água com gás e dizer: “- Pode matar”.

Bom! Se for pra falar algo a respeito, digo que acho de extremo mal gosto lanchonetes com salgados de frios, a preços baixos, num lugar onde a carne passa a ter pouco valor. Imaginar que depois de morrer, você se tranforma em recheio de croissant, não é um dos cinco pensamentos mais transcedentais.

 

Piadas a parte…

Queria falar sobre a vida mas… nos meus pequenos 28 anos de pequenas experiências, poucas coisas parecem significativas o suficiente para serem colocadas aqui.

Talvez falte experiência e sobre pretensão.

Ah, mas FODA-SE!!

Vale tudo. Quem dita as regras? Vale até (e principalmente) ridicularizar e fazer papel de ridículo, pois são as situações e ações ridículas que darão o tempero as nossas histórias e nos fará rir como bobos (sozinhos ou acompanhandos) antes de pularmos na cova, porque o final (o final mesmo), será demasiadamente óbvio.

 

Meu amigo André Morelli escreveu em um de seus textos (leiam nesse blog) algo como: “Porque toda comemoração, antes de ser ritual, manifestação cultural ou simplesmente bebedeira e putaria irresponsável, se resume numa afirmação. Uma afirmação em alto e bom som de que se está vivo…”

 

E O QUE ISSO TEM A VER COM O TÍTULO DA SUA COLUNA?

 

Tem tudo a ver. E como tem.

Sobre garotas:

Tem a ver porque no fundo minha tia era uma garota, de 73 anos.

O que diferencia uma “garota” de uma “senhora”, psicologicamente falando (acho), é apenas uma questão verbal. O fato é que quando as duas deitam suas cabeças no travesseiro, a garota pensa como seus dias deverão ser, e a senhora pensa em como seus dias deveriam ter sido. Fora a casca de experiências e filosofias pré-prontas, um fora será sempre um fora, a insegurança te deixará sempre inseguro e uma decepção, sempre será decepcionante. Não importa a idade.

Sobre Rock:

Minha tia tinha uma vida distorcida como uma guitarra do Sonic Youth.

Mas mesmo sendo uma garota turbulenta e inconsequênte, ela era de longe uma pessoa bacana.

Era confusa, como todos. Não se adequava da perfeição do bem, nem na do mal. Pois essas são teorias perfeitas e retas, e a vida de longe é reta.

Sobre Destilados:

É porque ela bebia, muito. E porque enquanto escrevo isso, bebo.

E porque eu quero propor um brinde. Não como forma de luto, mas como uma celebração por eu estar vivo e escrevendo, e meus amigos estarem vivos e lendo o que escrevi.

E brindar a uma extensa vida de piadas, escolhas e escolas. Brindar aos meus amigos, conhecidos e simpatizantes.

E claro, brindar ao Rock, as Garotas e aos Destilados.

A uma vida longa, brilhante e bem vivida.

[ tim, tim]

 

Fev 15

Capítulo de hoje: “Abordagens” (não é um texto autobiográfico)

 

Antes de tudo, isso não será uma dica ou conselho de como abordar uma garota. Afinal, se conselho fosse bom, seria servido ao molho de alcaparras num restaurante bacana.
É sexta . A noite está quente como sangue-pagão. As estrelas brilham e a lua sorri.
“ Você coloca sua melhor roupa e passa seu melhor perfume, mesmo sabendo que depois de 45minutos dentro de uma casa noturna, você estará defumado e cheirando a nhame.”
Pé na Estrada. Viva a noite! (as duas referências destoam).
São 24:45 Hs, e a casa começa a encher. Saco minha comanda e faço essa boa história começar com uma:

 

1º DOSE
Vodka, kiwi, gelo e açúcar.
Ainda no lounge, o som é bom. Isso éeeee…“Stereolab – Ping-Pong”. Há uns anos atrás, tocava na pista. Um dos sinais da idade é quando o som da pista, passa a ser o som do lounge.
Todas as garotas que atravessam meu campo de visão são lindas, modernas e aparentemente interessantes. Poucas estão a sós. Ou andam em casal, ou estão em bandos.
Aha! É ela, encostada na coluna.. Saia, bota, mini-blusa, cabelo curto e avermelhado, óculos. Visual modesto.

 

2º DOSE
Peço pra caprichar na vodka.
É aconselhável ter um copo cheio na mão pra se aproximar de uma garota num ambiente desses. O canudo dobrado, apontado pra vítima. Minha arma. O primeiro tiro deve ser doce.
Hesito… Penso que há umas décadas atrás era mais fácil flertar com uma garota, em suas condições de “recato” e “ingenuidade”.
Cada época e cultura tem seu macete. A antropologia do xaveco. A clava, como instrumento de sedução, nunca deveria ter saído de moda.
Opa! Ela já conversa com outro. A vida é curta. Portanto, pense menos, beba mais e haja.

 

3º DOSE
Desço pra pista.
Todos dançam. A cena é cinematográfica.
O DJ é bom. Ela dança, eu danço.Ela sorri, eu retribuo. Eu me aproximo, ela se esquiva. Eu a acompanho e ela repete os mesmos passos com outro, e depois outro…
Um amigo meu disse: “- Nessas pistas, é mais fácil elas rebolarem no seu pau do que te beijarem.”
Isso é enternecedor.

 

4º DOSE
Fato: Homens estão sempre disponíveis. São elas que escolhem. O contrário é puro joguete.
Damos em cima apenas por hábito e/ou pra superar nossas pequenas limitações..

 

5º DOSE
É ela! Pernas longas, lábios carnudos, cabelo escuro, tatuada, figurino a meu gosto.
O álcool começa a fazer efeito. Medo! “ Não deixe as pálpebras caírem e a língua enrolar.
E calma! No máximo você será rejeitado. Ela não acotovelará sua boca.”

 

6º DOSE
Pensar é não saber existir; são as ações de um homem que determinam sua vida; o peito do Pedro é preto; blá, blá, blá…
- Uma tequila! - digo com o dedo erguido. Viro o copo como um velho marinheiro.

 

7º DOSE
Vou em direção à ela. Tento acertar os passos. Ela nota.
Merda! Estou bêbado. Me sinto como naquele video-clip do Prodigy.
Começo a falar. Agora tenho dúdidas se falo com a garota, com o poster ou o grafitte da parede.
A garota, é a que se afasta, sempre. Ao fundo, Tom York canta: “She run, run, ruuuunnn…”
Falta senso de realidade, mas…o que é realidade?!

 

8º DOSE
Um amigo aparece e pergunta:
- Cara, você tá bem?
Apago

 

TUM, TUM…
Tudo é escuro, confortável e úmido. Retorno ao útero. Não quero sair daqui. Uma luz se aproxima. Ai…PORRA!

 

SÁBADO DE MANHÃ
Vitamina C efervecente.
Tenho 8 cabeças. Sou praticamente uma besta mitológica.
Alívio: Cartões, documentos e celular ainda no bolso.
Curiosidade: Como o taxista sempre acerta meu endereço?

 

MORAL DA HISTÓRIA?!
Putz! Sabia que tinha deixado algo lá. Minha moral, ficou naquele banheiro sujo.
“Homens nunca devem depender apenas de uma moral, assim como de uma garota ou de um emprego.” Tem que ter opções.

Claro! Nem sempre é assim. As vezes bebo menos, e por conseguinte a garota bebe mais.
Obviamente acabo gastando bem mais também, pois essas garotas-do-rock (ou garotas-rehab) são todas alcólatras profissionais. E eu, sou um “gentleman”.

 

Jan 16

Fui convidado pra escrever no Laboratório por um bom amigo com um senso questionável , pelo menos pra convites como esses. Sou um ilustrador publicitário também conhecido por escrever e-mails engraçadinhos pros amigos.

Claro que como boa cobaia que sou, me prestarei a bons experimentos, afinal todos escrevem um pouco, desenham um pouco, cozinham, opinam, fazem sexo, assobiam e cantarolam…Bom, pra falar a verdade, nem todos assobiam.

Escrever é sempre complicado. As melhores piadas aparecem depois que você publica o texto, as melhores sacadas depois que você o envia. O melhor insiste em não sair da sua cabeça, aquelas idéias que não mergulham na folha branca. Tímidas e sacanas (como uma garota de 16 anos) vão te infernizar a noite, vão se apresentar numa mesa de bar, quando não houver mais coordenação motora pra anotá-las.

Por isso hoje eu vou enrolar. Vou escrever sobre o que quero escrever. É uma “meta-enrolação”. É a boa estratégia quando você quer algo e não consegue.

Mas, definindo melhor:

Sobre Rock:

Não, não escreverei sobre bandas, CD´s e tendências. Para!!

Quando falo Rock, quero dizer Atitude, das menos pensadas as mais impensadas. É fazer o que deve ser feito, na hora em que tem de ser feito, sem grilhões, sem grilos. É meter o pé-na-jaca, arriscar, fazer aquele “papelão”, não se importar com o ridículo, parecer que não tem mãe.

É planejar até o momento em que isso não te atrapalhe. É chegar ao final, se tocar e dizer: “Afff…”.

Sobre Garotas:

É o enigma do universo, e tudo o que justifica as ações de um homem.

Pra que trabalhar, ganhar grana, estudar, se aprimorar, beber, construir e destruir impérios? Pra ficar com elas, ué! Pra impressionar elas, pra extrair um maldito sorriso e ter atenção delas… E se não for por isso ou você não é homem, ou é um bobão.

Uma garota uma vez me disse que em uma discussão sempre existe a versão de um, a versão do outro e a verdade. Claro que nesta coluna darei a minha versão, unilateral mesmo. Não serei a voz feminina, pois não sou o Chico e nem Caetano. E nem quero ser.

Sobre Destilados:

A coisa toda sempre começa e acaba por aqui

Pra se ter uma atitude genuinamente do rock, ou antes de chegar na garota ou depois que levou um pé (dela), nada melhor que uma dose, só mais uminha (falando com a lingua enrolada). É o momento de maturar suas idéias.

Como uma metáfora, o destilado provém dos grãos e do açúcar (suas idéias e energia) curtido em barris (sua cabeça) durante um longo período (quanto mais longo, pior). O resultado disso é o alcool, combustível pro motor da sua falta de senso. Entendeu?

Sobre Rock, Garotas e Destilados é uma coluna filosófica, mundana, sem pretensões e sem vergonha. É uma apologia a vida (uau!). São anotações sobre tudo aquilo que acontece entre uma boa idéia e uma péssima ação. Reminiscências das atividades exercidas entre o final do horário comercial e o fim de uma balada.

É o resumo de tudo. Tudo mesmo.Tudo e mais o que sobra. Principalmente o que sobra depois de tudo. (isso porque eu falei que serei despretencioso…rs).

Bjs, abraços e… MANTENHAM-SE CONECTADOS.