Jan 28

Um cara espirra e molha outro no ônibus. Essa cara molhado lembra do pau que ele chupou na noite anterior. Isso o faz esticar as pernas no ônibus, lotado. A senhora sentada na frente sente um pé bater no seu. Recolhe as pernas e lembra de mais uma noite sozinha dormindo de lado, fetal, com as mãos entre as pernas, aquecendo-se. Ela encolhe os ombros e bate no homem em pé. Bate em sua mala, e ele a segura lembrando de seu importante trabalho que será entregue esta manhã. Ele se contrai e empurra a adolescente que pretendia descer no próximo ponto. A adolescente que parecia sua filha.
Ela segura no ferro do ônibus e o cobrador a olha e não percebe o outro passageiro tentando passar na catraca. Este passageiro fica o segurando o dinheiro e com a mesma mão coça o nariz. Nisso vê uma arma na mão do homem que estava atrás dele. Entrega a grana a ele e sai, senta ao lado de um menino dormindo. O menino dormindo sonha com um filme do qual algumas cenas ele não entendia. Sonhando, ele se apóia no ombro mais próximo. A mulher, incomodada, tira o ombro subitamente, atrapalhando o sono do menino. A mulher parece com a do filme. Ela abre a janela, para incomodá-lo mais.
Nisso, um senhor de pé na frente deles saca o seu lenço, mas o lenço se prende ao bolso e ele espirra em direção a uns caras sentados na frente.

Jan 14

Bom Pessoas, Cobaias e Entidades Virtuais, bem vindos à edição de retorno do NSJ! O ano de 2009 foi corrido pra todos aqui no nosso Lab, o que levou a uma GRANDE diminuição do movimento por aqui, mas uma das promessas de todos para 2010 é mudar isso! Que venham as novas Experiências, musicais, textuais e visuais!

Essa edição de retorno começa com a levada NuSoul de Nicola Kramer, Low Budget Soul e Alison Evelyn, seguindo para o remix intenso do dj JAB para o som da banda Bitter:Sweet. Depois temos Diesler, Karen Aoki e Greyboy inserindo um pouco de swing na brincadeira, caindo então pro jazz de Big Bang retrabalhado pelo mestre Nicola Conte. Terminamos com três das minhas músicas favoritas, interpretadas pela fantástica Sonar Kollektiv Orchester, pelo grande mestre Tim Maia e pela voz suave de Elizabeth Shepherd.

Lembrando a todos que as edições anteriores podem ser baixadas aqui.

Enjoy!

01. Nicola Kramer - Need to Learn
02. Low Budget Soul - You Are The One
03. Alison Evelyn - Found A New Thing (Break Reform Remix)
04. Bitter:Sweet - Our Remains (JAB Remix feat. Menez One)
05. Diesler - Carla’s Beat Feat. Katie Miller
06. Karen Aoki feat Indigo Jam Unit - Summertime
07. Greyboy - Land Of The Lost
08. Big Bang - Yo Yo Jazz (Nicola Conte Rework)
09. Sonar Kollektiv Orchester - Held Him First
10. Tim Maia - Bom Senso
11. Elizabeth Shepherd - Reversed (Nostalgia 77 Remix)

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Publicado em 14/01/2010 |
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Dez 06

-Oi!- Ela entra no carro.

-Oi!

Se beijam.

-Demorou.

-Não estava achando as chaves.

-Você vai adorar o restaurante.

-Putz…

-Que foi!

-Eu esqueci a buceta em casa!

-Ai, meu, não acredito! Vamos voltar…

-Não, deixa, é só ficar sem tomar cerveja.

-A questão não é essa.

-Como assim?

-Você vai sair logo comigo e esquece o mais importante em casa.

-Como assim, mais importante? Tá louco, é?  Quer dizer que eu posso vir sem pé, sem olho que você não liga?

-Não foi isso que eu disse, é que, bem, você sabe – passando a mão na coxa dela - com ela é bem mais divertido.

-É, mas parece que ela é essencial, né?

-Não digo essencial, mas uma peça importante, igual a seu sorriso, você tem lembrar dele também.

-Cantadinha barata, só pra eu voltar  lá pra pegar a buceta.

-A, minha linda, convenhamos – você também não gosta quando você traz sua buceta?

-É verdade, eu gosto…

-Então, vamos voltar lá, já estamos na esquina da sua casa de novo.

-Nossa, podíamos ter jantado antes?

-Pega logo, vai que a gente precisa, digo, vai que você precisa dela.

-Mas você gosta de mim mesmo sem ela, né?

-Bom, digamos … que sem ela, você deixa de ser você e eu quero você por inteira.

-A, que lindo – dá um beijinho e sai do carro.

Ela volta e eles saem de novo, logo na esquina, ela grita:

-Para o carro, agora!

-Que foi?

-Quando peguei a buceta, esqueci de trazer o clitóris! – e sai correndo em direção ao prédio.

Set 14

HÁ DIAS escrevi no caderno Cotidiano desta Folha um artigo cujo título era “Freiras Feias sem Deus” sobre a nova lei antifumo. Um mar de e-mails.
Volto ao tema hoje para aprofundar duas questões que julgo mais importantes neste debate. Uma delas se refere à imagem de uma freira feia sem Deus como metáfora dos fascistas amantes da nova lei. Por que freira, por que feia, por que sem Deus?
Outra questão, mais “séria”, referia-se ao uso do termo “fascismo” para uma lei legitimamente votada num Estado democrático de direito. Como aplicar um termo advindo do universo totalitário ao campo da vida política democrática?
Eu sei, caro leitor: quem é afinado com o debate da filosofia política contemporânea sabe que a suposição de que a democracia seja imune ao fascismo não passa de mera ignorância.
A democracia atual, com suas intenções de corrigir o comportamento do cidadão (elevando-o à categoria de agente moral), pelo contrário, bebe muito na inspiração fascista.
A referência da “freira” aqui é simbólica, é claro. “Freira” remete à figura da mulher religiosa maníaca pelo controle das paixões e dos desejos, uma espécie de fiscal da virtude e do pecado. Ela ama castigar o pecador enquanto se olha no espelho e vê sua face como sendo a do espírito puríssimo. Não muito distante do não fumante militante que, ainda que não confesse, vê o fumante como um lixo da humanidade, alguém que tem prazer em se melar com a morte.
“Feia” é a figura da deformação interna da alma advinda desta fiscalização orgulhosa. Goza a noite em seu quartinho abafado, com a ideia de que, finalmente, aqueles que ela detesta serão humilhados. Como ratos que se escondem no escuro pra respirar seu ar doente.
“Sem Deus” é uma referência mais sofisticada. A relação entre a luta contra o pecado e o vício, por um lado, e Deus, por outro, implica a noção de piedade. Deus é uma ideia que traz em si um abismo no qual miséria humana e misericórdia divina se encontram.
Uma freira feia sem Deus é terrível porque a única coisa que ela deseja é a violência legal como controle total do pecador, sem amor algum pelo infeliz. Ao pecador resta apenas a miséria e a vergonha.
Já o fascismo é, no fundo, uma religião civil e não um tipo específico de política ou governo. Manifesta-se como um governo cuja autoimagem é a de um agente moral na sociedade. Agente este movido pela fé em gerar melhores cidadãos, por meio do constrangimento legal e científico dos comportamentos.
Na democracia, o fascismo ainda é mais perigoso porque tende a ser invisível. Esta invisibilidade nasce da ilusão de que a legitimidade pelo voto inviabiliza o motor purificador do fascismo. Pelo contrário, a própria ideia de “maioria” ou de “vontade do povo” trai a vocação fascista.
O fator saúde, seja pessoal, seja do planeta, seja da sociedade, sempre foi uma paixão fascista -isto já é largamente conhecido. A própria noção de progresso como saúde social canta hinos fascistas.
Perguntará o leitor: mas se for assim, não tem solução! Sim, tem, basta o governo ser mais cético com seus impulsos de purificação do mundo e se ater a sua condição de “síndico” da sociedade e não de reformador. A ideia de uma sociedade “saudável” já é fascista. O estado moderno tem em seu DNA a vocação ao fascismo.
Outro veneno é a associação com a ciência. Aqui tocamos o fundo do poço. Só idiotas, ou fascistas confessos, mesmo que mentirosos, creem em verdades científicas como parceiros éticos.
A rejeição de comportamentos construída via argumento científico tem a seu favor do ponto de vista do fascista a segurança de que ela é inquestionável. E se a “ciência” tivesse provado que os judeus eram mesmo seres inferiores e eticamente poluidores do mundo, seria correto exterminá-los? Ou pelo menos confiná-los?
Imagine, caro leitor, se em alguns anos “a ciência descobrir” que fumantes e ex-fumantes emitem partículas cancerígenas pela respiração. Claro que esse “a ciência descobrir” pode significar uns quatro ou cinco trabalhos financiados por lobbies contra os fumantes. Como proceder?
Arrisco dizer que nossas freiras feias sem Deus proporiam campos de concentração para os fumantes. Assim garantiríamos um ar sempre puro. A inspiração fascista da modernidade é resultado da secularização do cristianismo e seu desejo de perfeição. Pena que só sobraram as freiras feias e sem Deus.

Luis Felipe Pondé

Nota do blogueiro: esta semana, uma amiga foi chamada de nojenta,no meio da rua, por um completo estranho. Este, ao emitir o vitupério, cuspiu no chão, para conferir requintes permáticos a sua opinião. É preciso tomar cuidado, pois, pelo andar da carruagem, gordos, fumantes, e frequentadores de boteco serão, num futuro próximo, chicoteados em praça pública.

Set 02

“Do you or do you not know about the bird?
Cause everybodies heard that the bird is the word!

Family Guy e The Trashmen - A obsessão de Peter Griffin
The Drums - Let’s go surfing
The Smiths - This charming man
Yo La Tengo - Madeline
Peter Bjorn And John - Up against the wall
Langley Schools Music Project - Good vibrations

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Publicado em 04/06/2009 |
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Ago 11

Jun 12

Save some face, you know you’ve only got one
Change your ways while you’re young
Boy, one day you’ll be a man
Oh girl, he’ll help you understand

Smile like you mean it
Smile like you mean it

Looking back at sunsets on the Eastside
We lost track of the time
Dreams aren’t what they used to be
Somethings set by so carelessly

Smile like you mean it
Smile like you mean it

And someone is calling my name
From the back of the restaurant
And someone is playing a game
In the house that I grew up in
And someone will drive her around
Down the same streets that I did
On the same streets that I did

Smile like you mean it
Smile like you mean it
Smile like you mean it
Smile like you mean it

Oh no, oh no no no
Oh no, oh no no no

Jun 04

*

“O retorno de Dr. Phibes
Músicas para minha amada Victoria…

Trailer original do filme “The Abominable Dr.Phibes”
Goldfrapp - Lovely Head
Bibio - Oval Emerald Vertigo
Mirrormask - Close to You
Combustible Edison - Carnival of Souls
Judy Garland - Somewhere Over the Rainbow (Theremin Version)

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*Ilustração de Vincent Price

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Publicado em 04/06/2009 |
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Jun 02

Durante a E3, a maior convenção de games do mundo, foi divulgado o trailer oficial de The Beatles: Rock Band, novo game da franquia Rock Band, um simulador de banda em que você pode jogar como baterista, guitarrista, baixista ou vocalista. Totalmente inspirado na carreira do grupo mais popular que Jesus Cristo, o game mostra desde o começo da banda no modesto Cavern Club em Liverpool, até a fase psicodélica. Nem quero saber se o jogo é legal ou não, mas essa introdução é de levar as lágrimas qualquer fã de Beatles.


 

The Beatles: Rock Band tem previsão de lançamento para 9 de setembro. Segue a lista divulgada até agora de músicas no jogo.

I Saw Her Standing There
I Want to Hold Your Hand
I Feel Fine
Day Tripper
Taxman
I Am The Walrus
Back In The U.S.S.R.
Octopus’s Garden
Here Comes The Sun
Get Back

Mai 29

É, eu sei. Faz tempo que não publico nada aqui no blog. Porém, tenho uma boa desculpa: estava escrevendo a qualificação de minha tese, o que simplesmente ocupou 80% do meu tempo nos últimos dois meses. Assim, antes de entrar nos tópicos que quero discutir, aponto: mestrado deixa louco, não entrem nessa.

***

E, nesses dois meses ausente, algo de muito relevante ocorreu: o Glorioso, o Todo Poderoso, o Coringão voltou, em grande estilo, conquistando o Campeonato Paulista de forma invicta. Possuidor de uma equipe sem dúvida alguma equilibrada e forte, o Timão, graças também ao fenômeno Ronaldo, simplesmente passeou nas finais do torneio. Uma nação orgulhosa, um time que volta do inferno para a reabilitação, uma diretoria altiva, e, a cereja do bolo, o craque que se recupera mais uma vez; que, como o time, como os brasileiros, não desiste e sacode a poeira. Irresistível aqui não aplicar a relação parte/todo. Enredo fácil, e delicioso, para o paladar da acrítica e sedenta mídia esportiva. Sedenta por mitos fáceis, pelos quais as pessoas inteligentes não devem se deixar levar.

***

Sou corinthiano, e, com frequência, chamam-me “corneteiro”. Engraçado: no Brasil, reclamar é sempre ofício dos mal-amados, dos desditosos. Não vejo assim; se com a sociedade é preciso ser crítico, por que não o ser com minha paixão?

***

Vamos ao que penso estar sendo mascarado pela boa fase do time:

– Acreditem: possivelmente, se fosse dirigente, vetaria a contratação do Ronaldo. Não por não acreditar na sua recuperação, mas, sim, pelo simples fato de que o que se gasta com ele é muito mais do que o que se arrecada. Em qualquer país rico, o Ronaldo daria lucro, no Brasil, não. Nossas empresas não investem como as do exterior, nosso público não gasta (e nem poderia) como o do exterior.
– Assim como fez Dualib, Sanchez onera o clube ao máximo, para ganhar títulos, enquanto faz o que em entender administrativamente.
– A dívida do clube cresceu; só um doido acha que seria possível pagá-la sem vender jogadores, algo que o Corinthians não fez desde que o Sanchez entrou.
– O alardeado patrocínio do Corinthians, de 30 milhões, não passa de pouco mais da metade do divulgado. A Batavo paga 16 mi, e ainda recebe, pasmem, um dos patrocínios de manga.
– O patrocínio da Nike só entra ano que vem, e dos 18 mi acertados, 10 já foram adiantados.
– O Corinthians deve até as calças para a FPF e CBF; por isso nossos dirigentes não reclamam tanto quanto os de outros times quando ocorrem erros de arbitragem ou de má administração das entidades.
– Empresários fazem o que querem no Timão. Como explicar as contratações recentes de Marcinho (rebaixado no Paulista) e Henrique (bi-rebaixado no Guarani)?
– Não estamos conseguindo segurar a base do time; a cada semana, surgem novos rumores de jogadores que podem sair, inclusive para clubes brasileiros.
– Com o Sanchez, a toada será semelhante ao que ocorria com o Dualibabá: uma fase boa, outra péssima, rondando o rebaixamento. Não se tem o costume, no Coringão, de planejar e construir uma base, mas sim de onerar o clube com o que ele não pode arcar, como contratações milionárias.

***

“És do Brasil o time mais brasileiro”.
Não quero aqui dar lição de moral, muito menos posar de certinho. Gostaria, apenas, de apontar o quão profético pode parecer um simples verso. Aproveitando mais uma vez a relação parte/todo, o Corinthians não precisa ser a reprodução dos vícios infelizmente recorrentes na terra de Pindorama.